Texto retirado de um blog. Gostei muito dele, da sua beleza, sua simplicidade... me identifiquei!
[Percebendo...]
"Quando eu digo que eu gosto de andar de ônibus as pessoas ficam chocadas. mas eu gosto mesmo. Sem hipocrisia, gosto fora do horário de pico, no sentido oposto ao fluxo gigante de pessoas que não usam desodorante. Gosto quando não tem trânsito nem hora pra chegar.
Mas, a verdade é que eu acho uma coisa meio assim terapêutica. Não sei, tenho mania de observar as pessoas, imaginar a vida delas, onde elas trabalham, de onde elas vêem. Crio todo um universo pro casal de senhores sentados no banco do lado. Imagino que eles voltaram de uma consulta médica de rotina e que passarão no supermercado antes de chegar em casa. Pinto na minha imaginação a vida que tiveram juntos, nos filhos que criaram, os sonhos realizados. Será que foram felizes?
Aí chega a moça de calças justas e top colado e engata um papo qualquer com o cobrador. Joga os cabelos, ajeita as sacolas entre as pernas, ri vez ou outra. É a amante, definitivamente. Ele, sem graça com as investidas explícitas dela, cochicha algo no seu ouvido: "Aqui não..." já penso eu. E assim me perco na vida dos outros, no cansaço e sorriso alheio.
Veja bem, não é que eu me prenda ao estereótipo das pessoas, pelo contrário, penso como existe muito mais por trás do semblante de cada um. Como cada um carrega sua história, como muitas delas cruzam a mesma catraca sem se saber.
Prestamos pouca atenção no próximo, na cidade que passa na janela, a qual estamos demasiadamente acostumados, a mesma de todo dia. Gosto de perceber a beleza não óbvia das coisas, a fotografia bonita de um fim de tarde, as luzes da avenida paulista. Tento fazer disso um exercício diário, mas confesso que costuma me dar uma certa nostalgia. Sinto saudade do que eu ainda não vi. Do mundo aí fora. Quero ver tudo, quero ver mais e quero ver inteiro..." - [issoemaisumpouco.blogspot.com]
-Corte de Cetim.
-Corte de Cetim.
Nenhum comentário:
Postar um comentário