domingo, 19 de abril de 2009

Descobrindo

Sinto como se o chão se abrisse, tudo virasse uma imensa piscina e eu pudesse mergulhar, me envolver com todas as palavras, todos os sentidos, timbres, sons. Alto, baixo, grave, agudo, forte! Conheço essa voz, conheço esse som. Aquele ator, aquela foto, essa imagem!
Sorrisos, graciosidade que emociona. Lágrima sincera. Palavras, poemas, expressões, em todos os sentidos e direções, e ao mesmo tempo sem nenhum deles. Vermelho, amarelo, branco, azul, preto! Escuro, tudo escuro, a viola se apresenta, a risada suave e roca se faz presente e ausente.
Fluando em tanta história, navegando com minha ingenuidade de acreditar que posso abraçar tudo, conhecer cada canto, poder discutir sobre cada aspecto.
Você, ela, ele, eu, nós, essa eu conheço! A palavra, a pessoa, me lembram você. O som, a idéia profunda e escondida, moram no seu inteior, procuram a descoberta.
Frutas, cores, a casa da vovó, a rede da varanda. Cheiros, abraços, tudo transborda, exala! O amor, a amizade. Quantas saudades, um rio infinito de lembranças, sorrisos e pranto.
Os amores, a paixão! Loucura, nação, mar, areia, céu! A onda. Envolvidos, tudo junto e misturado, com suas cores, com seus sons, com suas idéias, pensamentos, orações, concordando, discordando, formando, criando, inventando! Nós, ele, aquele, você, a dança, o canto, a saia, a terra.
A cultura, a pátria, cada palavra, todos os significados, infinitas sensações, percepções, Quero senti-las, quero ama-las. Me esqueço, me lembro. A emoção permanece, o brilho dos olhos, a maravilha de compreendê-los de outra forma, e sempre, e tanto, e frenquentemente olhar, de novo e de novo. Entender e perceber o redor com mais dor, com menos sofrimento, com mais paz, com mais bagagem, com mais aprendizado, e acrescenta.
Descanso meu amor na loucura, dizia. O amor é a loucura, a saúde, o sustento, o cotidiano e o que nos tira dele.
A história, as imagens, as curiosas disposições, a inverção, tudo caracteriza e difere, a sua forma ao seu passo.
Quero, preciso, tenho, estou conquistado, na narração, no conto, na música! No reconhecimento da voz, na percepção do momento, na confusão do entendimento.
Tudo, isso, aquilo e o que desejar inventar, com alegrias e tristezas, no ócio, na origem, nas amizades, no absurdo e no tranquilo. Em qualquer lugar, da forma e cara que for, se reconhece, se afirma, e enobrece. Nossa língua.


-Corte de Cetim.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Primeiros erros

A verdade é que a sua idiotisse chega a me machucar. Não é fraqueza, é noção de vida. Querer sem objeto? "Assim não rola"
Me descobri limpa, afastada de preconceitos. O amor surpreende, acontece. (Estranho chama essa sensação de amor)
Não consigo explicar meus sentimentos, pela primeira vez me vi completamente sem chão, base, apoio. Ou talvez caminhando por espaços desconhecidos. Nada era capaz de justifica ou fundamenta.
Quanta ausência, quantas "faltas" absolutamente necessárias.
A sua pele elevou meus desejos, seu calor subverteu meus valores. Uma inversão sincera e pura, até mesmo suas mentiras conseguiram me satisfazer.
Sua anta! Poderia dar certo, se ao menos você almejasse o mesmo para você.
Não tenho palavras para descrever sorrisos, frio na barriga, lembranças reconfortantes. Confesso que ainda guardo aquele recado, há momentos onde parece que estou lendo - o pela primeira vez.
Não podia ser assim, não era pra ser.
Eu não estava lá, mas eu vi. Clareia meu tempo, quebre a cadeia das minhas horas, atrasa o meu relógio. Peço não saber até você voltar.
Estive tão perto! Sem compreender, sem explicar, simplesmente nua e despojada.
Me abraça, me aperta, me prende em tuas pernas! Me prende, me força, me roda, me encanta, me enfeita num beijo! Dizia, graciosamente, Maria Rita.
Às vezes me sentia iluminada, para além de lençois e colchão.
Se você me pergunta, eu digo sim! Ou diria. Não posso, não devo.
Quanta pureza, quanta felicidade, assim simples, clara, comum, grande. Quase clandestina.
Sensações indescritíveis inundam meu corpo, meu coração, minha alma! Quer voar pela boca, quer sair por ai...
Indiscreto, suave e explosivo. Tão minúsculo e triste. Ah! Se você soubesse o tamanho do horizonte distante. Ninguém sabe sua dimensão, mas poder enxergá - lo e ao menos nos permitir nos enganar com a possibilidade de imagina - lo inteiro e forte, é uma forma de esperança.
Amor é descoberta! Mútua, continua, progressiva.
Te falta ao passo coração, horizonte, estrada, possibilidade. Nos falta a coragem da ilusão!
Não soube o que fazer, apenas se foi. Porque eu não poderia tentar ser feliz? O que é ser feliz? Todos só pensam nisso.
Sua culpa, minhas razões. Quantas lágrimas, minha covardia não deixou que eu me explicasse, nem tão pouco mostrar - me reciproca nos momentos de silêncio.
Talvez eu te ame, ou tenha te amado. De forma inusitada, diferente, sincera. Um amor calmo e prestante, real! Um batuque passageiro, um som do samba, da bossa nova dos boêmios, no tempo da madrugada e dos morcegos. Enquanto o sol ainda dorme, mesmo que no tempo de eterno sono das minhas ilusões.


-Corte de Cetim.