domingo, 13 de julho de 2008

Av. São João - O Início

10 de Junho, de anos e anos atrás...

Ainda de noite, as 4 horas da manhã o despertador tocava. Todos se levantam, sem acordar nínguem, ia devagar pulando minhas duas irmãs que dormiam comigo na cama.
Organizando o café na pequena mesa, já com algumas rachaduras e farpas grudadas com fita crepe, eu e meu pai dividimos um pão comprado com a venda das latinha recolhidas nas ruas.
Aos poucos, por volta das 5 horas da manhã, a noite estava mais clara e a manhã lentamente mais uma ver acordava.
Nessa noite havia sonhado com minha avó. Podia sentir em meu sonho o cheiro de suas roupas, a maciez de sua pele a me acariciar. Meus olhos acordavam bentos de lágrimas. Minha esperança se tornava maior, uma força crescia dentro de mim...

Já com as trochas arrumadas, abrimos a porta, e depois pulamos o portãozinho de ferro de frente a casa, que a meses havia quebrado. Pular, era a única maneira de sair.

Depois de algumas horas e dois ônibus chegamos ao local. Era lá. A nossa maior mudança de vida, e conquista depois de tanta energia e suor sagrados gasto.
Avenida São João, minha melhor lembrança, meu grande orgulho, o Senhor Zé finalmente respirava! As lágrimas minhas e de meu pai foram incontroláveis.
Pulavamos, gritavamos e dançamos pela rua, frente ao nosso botequim. Não havia mesas, cadeiras, nada para beber ou comer, mas era nosso.
Com o mesmo esforço para comprá - lo, teriamos para erguê - lo e manter a tradição de seu pai, meu avô. Os sambas, a cachaça, as mesas simples, o ambiente acolhedor...

Foi um dia incrível. Jamais me esquecerei. Mas o que estava por vir, possuiria uma marca inexplicávelmente maior...



O texto de Luisa publicado hoje, conta a história do primeiro dia da sua maior experiência de vida e luta. Morando ainda em uma casa modesta e pobre com sua família, a sua emoção é retrata com palavras sofridas e aliviadas. Independente de tudo o que já havia passado desde aquele dia, jamais perderá o sentimento e a esperança das lágrimas do sonho com sua avó, e seus pulos com seu pai ao chegar no fim de uma luta, e no começo de uma verdadeira guerra.

-Corte de Cetim.

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