domingo, 31 de janeiro de 2010

Caminho bordado a fé

Lembro-me uma vez quando estava na sétima série e estudava no Colégio Ofélia Fonseca, fomos a um passeio pelo centro da cidade de São Paulo. Conhecer suas ruas, sua história, seus mistérios. Olhar e tocar de perto, sentir a sua face, sua maciez, enfim, aprender. Assistir uma aula de história realmente rodeado de história viva e presente.
Passando pelas ruas, estátuas, ouvíamos atentos tudo aquilo que o monitor nos falava. Sempre aplicados e interessados. Era uma turma boa, de um modo geral.
Visitamos algumas igrejas, grandes e pequenas, observamos a sua conservação, os seus anos vida, a beleza quase celestial que as envolviam com sua arte e sua fé.
Sim, arte e fé! Essas são as palavras chaves desse post de hoje! Pois pensando nisso me recordei de uma infeliz aluna que presenciava esse passeio e quando íamos entrar numa igreja ela falou que não entraria, pois não acreditava em Deus, ou algo do gênero. Logo o monitor, respondeu: Olhe para essa igreja como arte! Você não precisa acreditar em Deus ou ter religião para poder reconhecer a sua beleza. - quase uma lição!

Mas, o verdadeiro motivo por ter me recordado desse fato se deve ao fato de que estava olhando um livro do fotográfo Marcio Sallowicz, com fotos da Catedral da Sé. No início do livro há quase um "prefácio" do arcebispo de São Paulo Dom Cláudio Hummes, no qual ele fala de arte e fé de uma maneira extremamente bela, profunda, completa, através de um texto organizado, bonito, inteligente.

Parte do texto:
"(...)A Catedral da Sé, além de ser um grande monumento religioso de estilo gótico, acolhe em seu interior inúmeras obras de arte. Sabemos que a fé cristã inspirou numerosos artistas por todo o mundo nestes dois mil anos de existência do cristianismo. A arte realmente procura nos introduzir, mediante a beleza, no âmago do ser fundamental. É um caminho que nos leva para além das apararências superficiais, até no centro do mistério em que toda a realidade se fundamenta. Esse mistério é inesgotável podemos sempre saboreá-lo mais, sem cessar. É ele que dá sentido a todos os entes.
Ora, o ser fundamental é Deus. Isso nos diz a fé cristã. Deus é o mistério essencial significante de todas as coisas. Por isso, a arte sente-se fascinada por Deus ve por tudo o que pertece ao mundo divino. Deus inspira a arte. A arte nos fala de Deus. Conforme a metafísica clássica, o ser fundamental é uno, verdadeiro, bom e belo.
Deus é uno, verdadeiro, bom e belo. Sua beleza se espalha em toda beleza que nos é acessível. Por essa razão, a arte, que nos revela a beleza, ajuda-nos a encontrar a Deus. Daí a arte sacra que adorna nossas igrejas, também a Catedral da Sé é um santuário de obras artísticas.(...)"
[Arcebispo de São Paulo - Dom Cláudio Hummes]

Belíssimo!


-Corte de Cetim.

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