-E você já se apaixonou de verdade? Perguntou a garota faladeira.
-Sim. Mas já passou... Respondeu.
-Mas e não deu certo porque? Insistindo a garota...
-Não. Éramos muito imaturos!
-Você acredita em amor verdadeiro? Só acontece uma vez?
-Com certeza, uma vez só na vida! Responde o rapaz.
-Então você nunca mais amou?
-Amei! Mas de forma diferente. Aquele amor ficou marcado para sempre, jamais haverá outro igual...
Segurança de uma Universidade, paletó alinhado preto, gravata, expressão séria. Um canto, uma cadeira... Salas de aula, professores, alunos. Livros, apostilas, computadores. O tempo corre, o tempo voa, é preciso estar atento, anotar até a respiração daquele indivíduo que tenta nos fazer aprender em 2 horas um conceito, uma idéia ou estudo de anos. Na verdade pelo menos entender o sentido ou objetivo, tudo é humanamente impossível.
Em cada escada, portão, saída ou entrada. Está lá a expressão séria vestida de paletó e gravata, treinados para transmitir informações, orientar ou esclarecer algum tipo de dúvida simples, como: O senhor poderia me informa onde fica o prédio 12? Ou seria o 9? Não sei, me falaram que era o 3 também! Que confusão moço! Gostaria mesmo era de ir ao prédio do curso de Arquitetura!
-Ok, moça! Você segue em frente, vira a sua direita, sobe um lance de escada passa pela praça de alimentação a sua esquerda, segue em frente, e a direita estará o prédio onde deseja ir.
Muito obrigada, disse a garota perdida.
Moço, moça, senhora, senhor, pronomes de tratamento que transmitem educação, praticamente obrigatórios atualmente, que não só mostram boa conduta, mas distanciam indivíduos.
Um ser humano comum, quase invisível num lugar de paredes, prédios, portas e pessoas, muitas e muitas pessoas.
Bom dia! Boa tarde... Como vai? Tenha um bom trabalho!
Pequenos gestos, poucas palavras que possuem uma capacidade incrível de transformar. Nínguem lembra da cara de nínguem, tão pouco do nome. Todos somos um pouco invisivéis.
Mas parece óbvio saber alguma coisa dessas tantas pessoas. Fazem faculdade, talvez não saibam ao certo se fizeram uma boa escolha, mas estão tentando. Outros realmente estudaram, muitos trabalham, pegam ônibus ou vão de carro. Namoram, ou ficam com o estudante do outro curso, possuem uma amiga que o acompanha na volta, já estudou no colégio daquela faculdade. Coisas do gênero, simples e comuns.
Mas e os moços de paletó com expressão séria? O que dizer deles? São casados, viúvos? Estudam ou estudaram, namoram, tem filho, ou filhos como pensamos primeiramente apenas por serem pessoas humildes! Quantos anos tem? Porque estão ali, foi escolha ou obrigação?
Simplesmente não sabemos. O que será que sentem? O que tem a dizer, quais são suas reclamações?
Parece que o traje, sua condição, seu trabalho o excluem e isolam de uma realidade totalmente contrária a que vivem!
Qual seria de verdade a realidade real? O ônibus lotado, a situação precária do transporte público de São Paulo, ou o número de vagas da universidade? Os dez dias que faltam para as inscrições do vestibular, o ENEM que ocorrerá nesse próximo domingo. A loja do Shopping Higienópolis que está em liquidação, o Marlboro que subiu de preço?
Existe duas, três formas de vida, idéias do real ou imaginário? Quem estaria excluído, os estudantes e professores ou o segurança?
Aquele ser humano tão próximo em nosso cotidiano também tem sentimentos! Possui uma história, viveu momentos para contar, sentiu amor e foi amado com a mesma intensidade e fogo como os grandes poetas, ou as canções das bandinhas de rock atuais, ou as clássicas de antigamente.
São de carne, osso e coração! Homens que nasceram envolvidos de sangue, ao som do choro da vida que anuncia a sua presença mais uma vez!
Dizia Zeca Baleiro: "Não tenho dinheiro pra pagar a minha Yoga (...)Eu não tenho grana pra sair com o meu broto, eu não compro roupa, por isso que eu ando roto Nada vem de graça nem o pão nem a cachaça! Quero ser o caçador eu tô cansado de ser caça!"
Não poderia definir melhor. Na estressante rotina da sobrevivência quem é que tem tempo e dinheiro para pagar Yoga? Tentar esconder suas frustrações, a conta atrasada ou o leite das crianças que está faltando?
É uma engraçada ironia essa frase. Parece novela das oito, ou atrizes globais sempre sorridentes e bonitas, que acordam de escova e sem olheiras. Grande ilusão!
Ser caçador é ainda um setor extremamente restrito. E talvez nunca deixe de ser.
A verdade mesmo é que sempre existirá alguém para caçar você também, a diferença pode estar somente da quantidade de poder.
A vida. É complicada realmente, ou nós que complicamos? Às vezes realmente acho que todos somos um pouco severinos, nessa eterna luta pelo melhor e para sermos melhores por alguém, para alguém ou por nós mesmo.
Não há mau que sempre dure, nem bem que nunca se acabe. Será? E moço sujo sem teto e vida que grita na avenida paulista? (pra variar, sempre a avenida paulista) Ainda lembra da sua história? E o jovem segurança de 23 anos que conheceu o verdadeiro amor? Tudo depende um pouco de como encaramos esse pequeno sopro de tempo que vivemos perto da imensidão da vida.
Hoje aquele rapaz me ensinou, e nem se quer lembro o seu nome...
"E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte
de fome um pouco por dia!"
-Corte de Cetim
-Sim. Mas já passou... Respondeu.
-Mas e não deu certo porque? Insistindo a garota...
-Não. Éramos muito imaturos!
-Você acredita em amor verdadeiro? Só acontece uma vez?
-Com certeza, uma vez só na vida! Responde o rapaz.
-Então você nunca mais amou?
-Amei! Mas de forma diferente. Aquele amor ficou marcado para sempre, jamais haverá outro igual...
Segurança de uma Universidade, paletó alinhado preto, gravata, expressão séria. Um canto, uma cadeira... Salas de aula, professores, alunos. Livros, apostilas, computadores. O tempo corre, o tempo voa, é preciso estar atento, anotar até a respiração daquele indivíduo que tenta nos fazer aprender em 2 horas um conceito, uma idéia ou estudo de anos. Na verdade pelo menos entender o sentido ou objetivo, tudo é humanamente impossível.
Em cada escada, portão, saída ou entrada. Está lá a expressão séria vestida de paletó e gravata, treinados para transmitir informações, orientar ou esclarecer algum tipo de dúvida simples, como: O senhor poderia me informa onde fica o prédio 12? Ou seria o 9? Não sei, me falaram que era o 3 também! Que confusão moço! Gostaria mesmo era de ir ao prédio do curso de Arquitetura!
-Ok, moça! Você segue em frente, vira a sua direita, sobe um lance de escada passa pela praça de alimentação a sua esquerda, segue em frente, e a direita estará o prédio onde deseja ir.
Muito obrigada, disse a garota perdida.
Moço, moça, senhora, senhor, pronomes de tratamento que transmitem educação, praticamente obrigatórios atualmente, que não só mostram boa conduta, mas distanciam indivíduos.
Um ser humano comum, quase invisível num lugar de paredes, prédios, portas e pessoas, muitas e muitas pessoas.
Bom dia! Boa tarde... Como vai? Tenha um bom trabalho!
Pequenos gestos, poucas palavras que possuem uma capacidade incrível de transformar. Nínguem lembra da cara de nínguem, tão pouco do nome. Todos somos um pouco invisivéis.
Mas parece óbvio saber alguma coisa dessas tantas pessoas. Fazem faculdade, talvez não saibam ao certo se fizeram uma boa escolha, mas estão tentando. Outros realmente estudaram, muitos trabalham, pegam ônibus ou vão de carro. Namoram, ou ficam com o estudante do outro curso, possuem uma amiga que o acompanha na volta, já estudou no colégio daquela faculdade. Coisas do gênero, simples e comuns.
Mas e os moços de paletó com expressão séria? O que dizer deles? São casados, viúvos? Estudam ou estudaram, namoram, tem filho, ou filhos como pensamos primeiramente apenas por serem pessoas humildes! Quantos anos tem? Porque estão ali, foi escolha ou obrigação?
Simplesmente não sabemos. O que será que sentem? O que tem a dizer, quais são suas reclamações?
Parece que o traje, sua condição, seu trabalho o excluem e isolam de uma realidade totalmente contrária a que vivem!
Qual seria de verdade a realidade real? O ônibus lotado, a situação precária do transporte público de São Paulo, ou o número de vagas da universidade? Os dez dias que faltam para as inscrições do vestibular, o ENEM que ocorrerá nesse próximo domingo. A loja do Shopping Higienópolis que está em liquidação, o Marlboro que subiu de preço?
Existe duas, três formas de vida, idéias do real ou imaginário? Quem estaria excluído, os estudantes e professores ou o segurança?
Aquele ser humano tão próximo em nosso cotidiano também tem sentimentos! Possui uma história, viveu momentos para contar, sentiu amor e foi amado com a mesma intensidade e fogo como os grandes poetas, ou as canções das bandinhas de rock atuais, ou as clássicas de antigamente.
São de carne, osso e coração! Homens que nasceram envolvidos de sangue, ao som do choro da vida que anuncia a sua presença mais uma vez!
Dizia Zeca Baleiro: "Não tenho dinheiro pra pagar a minha Yoga (...)Eu não tenho grana pra sair com o meu broto, eu não compro roupa, por isso que eu ando roto Nada vem de graça nem o pão nem a cachaça! Quero ser o caçador eu tô cansado de ser caça!"
Não poderia definir melhor. Na estressante rotina da sobrevivência quem é que tem tempo e dinheiro para pagar Yoga? Tentar esconder suas frustrações, a conta atrasada ou o leite das crianças que está faltando?
É uma engraçada ironia essa frase. Parece novela das oito, ou atrizes globais sempre sorridentes e bonitas, que acordam de escova e sem olheiras. Grande ilusão!
Ser caçador é ainda um setor extremamente restrito. E talvez nunca deixe de ser.
A verdade mesmo é que sempre existirá alguém para caçar você também, a diferença pode estar somente da quantidade de poder.
A vida. É complicada realmente, ou nós que complicamos? Às vezes realmente acho que todos somos um pouco severinos, nessa eterna luta pelo melhor e para sermos melhores por alguém, para alguém ou por nós mesmo.
Não há mau que sempre dure, nem bem que nunca se acabe. Será? E moço sujo sem teto e vida que grita na avenida paulista? (pra variar, sempre a avenida paulista) Ainda lembra da sua história? E o jovem segurança de 23 anos que conheceu o verdadeiro amor? Tudo depende um pouco de como encaramos esse pequeno sopro de tempo que vivemos perto da imensidão da vida.
Hoje aquele rapaz me ensinou, e nem se quer lembro o seu nome...
"E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte
de fome um pouco por dia!"
-Corte de Cetim
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