quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Desejo sem fim

Dizia o cartaz: Se você acredita que as coisas não são desgastadas pelo tempo me dê um beijo.
Avenida Paulista, luzes brancas e vermelhas, fumaças. Passos muitos e incontáveis passos. Esquerda, direita, todas as direções possíveis, sacolas, bolsas, saltos altos e baixos, diferentes rostos, diversas vozes. Uma única palma com o cartaz.
Ser humano, calça jeans, sim, sempre calça jeans. Camiseta preta, pele parda, e um olhar a observar.
Cidade dos loucos, dos desvairados. Acolhedora e oprimida. São Paulo da avenida Paulista, do cinza, do preto. Vermelho, verde, laranja, amarelo, apenas na cor dos ônibus.
Escada. Famosa escada, dos passos, das risadas, dos segredos.
Quantos mistérios esconde? Minha casa, meu refúgio. Mantenedora do meu amor, minha coragem e tantos medos.
Te amo em voz baixa, te desejo do papel e no pensamento. Se liberte, me liberte. Quero ser louca, desejo interferir, como o moço que dança e canta na calçada: "Viver e não ter a vergonha de ser feliz! Cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz..." Um olhar de amor, um gesto de justiça, sem indiferença.
O problema não está somente no cérebro desorientado do resultado da opressão. Podemos ser muito mais doidos.
A vida é tão rara, tempo é escasso e infinito. Minha verdade, certeza. Incluída e distante.
Avenida de Histórias, nomes, janelas escuras e portas automáticas. Sente na escada, observe. Eu te amo!


Corte de Cetim.

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